Cidade do Vaticano – O mundo amanheceu em luto nesta segunda-feira, 21 de abril de 2025, com a notícia do falecimento de Sua Santidade, o Papa Francisco. O líder da Igreja Católica morreu aos 88 anos, por volta das 7h45 (horário local), em sua residência na Casa Santa Marta, no Vaticano, vítima de insuficiência respiratória aguda causada por uma pneumonia bilateral. A confirmação oficial veio pouco depois, através de comunicado do camerlengo, cardeal Kevin Farrell.
O pontífice, nascido Jorge Mario Bergoglio, era argentino e ocupava o trono de Pedro desde março de 2013, tornando-se o primeiro papa latino-americano, o primeiro jesuíta e o primeiro das Américas a comandar a Igreja Católica.
Uma vida marcada pela fé, humildade e compromisso com os mais pobres
Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, filho de imigrantes italianos. Ingressou na Companhia de Jesus, tornando-se sacerdote em 1969. Ao longo da carreira religiosa, destacou-se pelo compromisso com os marginalizados e por uma postura austera, que manteve ao longo de toda sua trajetória.
Em 13 de março de 2013, foi eleito Papa, sucedendo Bento XVI após sua histórica renúncia. Ao escolher o nome Francisco, homenageando São Francisco de Assis, sinalizou desde o início um pontificado voltado para a simplicidade, o amor aos pobres, o cuidado com a natureza e a construção da paz.
Marcos do pontificado
Durante os mais de 12 anos de seu papado, Francisco promoveu reformas significativas na estrutura da Igreja, buscou enfrentar os escândalos internos com firmeza e trabalhou para aproximar a instituição dos fiéis em todo o mundo.
Entre os principais marcos de seu pontificado estão:
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A reforma da Cúria Romana e o combate à corrupção no Vaticano;
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A criação de uma política de “tolerância zero” aos abusos sexuais cometidos por membros do clero;
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O diálogo aberto com outras religiões e com populações marginalizadas;
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A publicação da encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a Casa Comum, que abordou questões ambientais com profundidade e coragem;
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A defesa dos refugiados e migrantes em meio a crises globais;
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A postura acolhedora diante de questões delicadas como as uniões homoafetivas, a reintegração de divorciados à vida da Igreja e o papel das mulheres nas estruturas eclesiásticas.
Últimos dias e a despedida
Em março deste ano, o Papa foi internado por 28 dias no Hospital Gemelli, em Roma, para tratar de uma infecção respiratória grave. Mesmo após receber alta, sua saúde continuou fragilizada.
No último domingo, 20 de abril, Francisco fez sua derradeira aparição pública durante a tradicional bênção Urbi et Orbi, diretamente da sacada da Basílica de São Pedro. Já visivelmente debilitado, recebeu orações e aplausos de milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro.
Seu desejo era que seu funeral fosse simples. Assim será. A cerimônia será realizada na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, onde será sepultado.
Com sua morte, inicia-se o período conhecido como Sé Vacante. O Colégio de Cardeais se reunirá em conclave nas próximas semanas para eleger o novo Pontífice.
Repercussão internacional
A notícia da morte do Papa Francisco provocou uma onda de comoção em todo o mundo. Diversos chefes de Estado e líderes religiosos expressaram pesar.
Na Argentina, seu país natal, o presidente Javier Milei decretou sete dias de luto oficial. Emmanuel Macron, Pedro Sánchez, Giorgia Meloni e o secretário-geral da ONU, António Guterres, também emitiram notas destacando o impacto espiritual e humano do pontífice.
Missas e vigílias de oração estão sendo celebradas em várias cidades. Em Paris, os sinos da Catedral de Notre-Dame tocaram 88 vezes em sua homenagem.
Visita ao Brasil: um marco de fé e renovação
Em julho de 2013, apenas quatro meses após sua eleição, o Papa Francisco visitou o Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Foi sua primeira viagem internacional como Papa — e um momento inesquecível para milhões de brasileiros.
Durante a semana do evento, Francisco emocionou ao percorrer comunidades como a favela da Varginha, participar de eventos multitudinários em Copacabana e conduzir a missa de encerramento que reuniu mais de 3 milhões de pessoas na praia.
Naquela ocasião, deixou uma de suas frases mais marcantes:
“Quero que vocês façam barulho! Quero ver a Igreja nas ruas!”
Sua presença carismática, sua fala próxima e seu sorriso sincero conquistaram os corações dos brasileiros — de católicos a não católicos.
Legado eterno
Papa Francisco deixa um legado imenso. Reformador, humilde, atento aos desafios do mundo moderno, promoveu pontes quando muitos levantavam muros. Incentivou o diálogo, a escuta e a compaixão. Foi, verdadeiramente, um pastor com cheiro de ovelha, como ele mesmo desejava.
Descanse em paz, Papa Francisco. O mundo agradece.










